domingo, 15 de abril de 2018

Dia 05 – 14/04/2018 – Cape Town

Viajar com criança é sempre muito complicado, certo? Errado! Está cada vez mais prazeroso viajar com a Helô. Nós costumávamos dizer que com 2 anos é a fase mais tranquila de viajar com criança já que já devem ter saído da fralda e a bagagem reduz drasticamente e, ao mesmo tempo é dependente o suficiente para ter pouca opinião e deixar os pais terem controle total do roteiro. E isso é, realmente, fato. Mas o que vamos descobrindo com o tempo é que criança maior, como é o caso da Helô que acabou de completar 4 anos, tem, sim, voz ativa e participa da definição de alguns detalhes da viagem e, ao mesmo tempo, entende muito bem o que está acontecendo e tem discernimento para deixar os pais curtirem os programas de adulto. A Helô tem nos acompanhado muito bem em todas as atividades mesmo quando não tem nada a ver com a idade dela. Nós, juntos, fazemos o negócio ficar divertido e é muito gratificante vê-la participar de tudo e com muito entusiasmo. Essa viagem em especial que tem muita coisa histórica para se viver está sendo muito prazerosa porque a Helô se interessa e pergunta o porquê das coisas o tempo todo. Bom, é claro que tentamos sempre ter alguma atividade para ela todos os dias para que esteja sempre se surpreendendo. E são, na sua maioria, coisas simples e que não chegam a atrapalhar o roteiro.

Falando em roteiro, hoje, sábado, é dia de feira no Old Biscuit Mills. Fomos conferir e digo que me surpreendi. Foi tudo diferente das minhas expectativas. Eu havia lido que ficava na periferia, em um local pouco agradável. Realmente não fica no V&A Waterfront, mas não é muito longe de lá. Também, não é uma rua frequentada pelos carros de luxo que vemos com frequência pelas ruas da cidade, mas, mesmo assim, fica longe de ser comparado com os entornos do Mercadão de São Paulo. É um lugar super tranquilo para se ir. Não tenham medo.

Outra coisa que ficou fora das minhas expectativas é que eu tinha a impressão de que a feira era frequentada pelos locais, o que não é verdade. Até os lojistas são, na maioria, estrangeiros. Essa é uma feira de estrangeiros para estrangeiros. E essa foi a terceira diferença. Eu queria ver produtos locais, de artesanato a comida, mas eram produtos de estilistas e caros e a comida era internacional. Parecia uma grande área de foodtruck, mas sem os “trucks”.

Diferenças à parte, tendo as expectativas definidas corretamente, é um lugar que vale muito a pena conferir! Nós fomos pela manhã e tínhamos um roteiro para seguir no V&A Waterfront e, então, não podíamos ficar muito. O ideal, porém, é ficar e almoçar por lá.










Da feira, fomos para o Two Oceans Aquarium. Helô adorou principalmente o tanque com dezenas de peixes palhaço, os Nemos. Tem uma área bacana para crianças brincarem, um teatro de marionetes, oficina de artesanato. Mas, como aquário mesmo, ficou muito a desejar. Eu diria que é mais ou menos do mesmo nível do de Cancun. Pequeno e fraco. Eu não cheguei a ir no de São Paulo, mas a Fabi disse que o nosso é melhor. Ou seja, “passável”.










Depois passamos pelo Food Market, um lugar até que parecido com a feira que tínhamos acabado de ir no Old Biscuit Mills e almoçamos por lá. Comida, como sempre, muito cara.

Passeamos pelo local durante o dia já que só tínhamos ido lá à noite, Helô passeou no trenzinho e voltamos com a ideia de pedir uma pizza e dormir mais cedo já que amanhã vamos cair na estrada rumo aos vinhedos da região.





Só que o Google Maps me recomendou alguns restaurantes na região e um deles, há 400m do nosso apartamento, me chamou muito a atenção por seu um restaurante de comida típica africana e com música e dança típicas também. Criamos forças e fomos para lá, o que se revelou outra grata surpresa. O restaurante é o Marco’s e fomos muito bem atendidos! A Helô era a única criança do local e foi muito bem tratada pelas sempre atenciosas e sorridentes garçonetes que pareciam estar ali para se divertir junto com a gente. Comida excelente e mais barata do que o que estávamos gastando antes. Pena termos descoberto apenas no último dia.


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Dia 04 – 13/04/2018 – Cape Town e Cabo da Boa Esperança


Hoje nosso dia se passou quase que totalmente fora de Cape Town. Saímos cedo em direção ao lugar da África citado nos livros de história do Brasil: o Cabo das Tormentas, depois rebatizado como Cabo da Boa Esperança quando o navegador português Bartolomeu Dias conseguiu, por acidente, vencer esse obstáculo tão perigoso que os levavam, pelo mar, ao caminho das Índias.

Bom, história a parte, nossa rota passou por outros lugares muito interessantes no caminho. O primeiro deles que, por sinal é, assim como todos os outros, imperdível, é a estrada de Chapmans Peak. Trata-se de uma estrada curta, mas toda sinuosa, à beira de um desfiladeiro e absolutamente estreita. Se eu ainda não estivesse proficiente em dirigir na mão inglesa, teria ficado hoje. Essa é uma estrada cênica e que se pode ter um resumo de toda a beleza de Cape Town. Eu nunca vi esse tipo de comparação nas minhas pesquisas e não sei se vão concordar comigo (a Fabi concordou mais por educação do que por estar de acordo), mas a vista remonta à baía de Guanabara na cidade maravilhosa, mas sem todas aquelas favelas das encostas dos morros do Rio de Janeiro. Simplesmente, fantástico! Mas tinha um problema. O dia estava chuvoso e com visibilidade muito comprometida. Então, nada de fotos.

Do fim da estrada até Simons Town, são uns 10 ou 15 minutos. É nessa cidade que fica a famosa praia Boulders com muita azaração por todo o lado pelos adoráveis pinguins. Eles são realmente muitos! O lugar é muito bem cuidado e vimos inúmeros filhotes além de incontáveis mamães pinguins chocando seus ovos. Os pinguins cavam um buraco no chão e usam como ninhos. Há também os ninhos artificiais que a reserva dispõe para os pinguins mais exigentes.

Tudo isso, claro, tem um preço e pagamos R76 por adulto e R41 para a Helô.

Para os desavisados, existem dois acessos: um deles, o principal e mais acessado, te leva por uma passarela de madeira que te deixa muito perto dos inúmeros pinguins; o outro, mais escondido e com menos gente, é a entrada para a praia, sem proteção ou barreira, para que se tenha total acesso aos pinguins, mas encontramos não mais de meia dúzia deles – o suficiente.










Feita a visita aos pinguins, fomos em direção ao parque do Cabo da Boa Esperança. Eu não fazia ideia de como era o lugar e pensei que parássemos o carro numa praia com uma placa para os turistas e pronto. Mas não é nada disso. Trata-se realmente de um parque imenso! Da entrada, R147 por adulto e R76 a criança, até o extremo sul, são 12km. Para-se o carro (cuidado com os babuínos!), tira-se foto na placa, mas tem uns caminhos morro acima com vistas de tirar o fôlego! Do outro lado do morro tem uma trilha que leva até o farol do cabo mas voltamos e fomos de carro até lá. Como estávamos muito cansados da subida no morro de pedras no Cabo da Boa Esperança, pagamos para subir de funicular até o farol de Cape Point. Lá em cima, fizemos uma outra trilha, com muita subida, mas ter que escalar morro dessa vez, até quase no farol novo, no extremo sul do cabo.














Os babuínos aparecem aos montes em busca de comida e existem várias placas espalhadas pelo parque alertando para se tomar cuidado com eles. São animais selvagens de grande porte e que roubam comida e tudo o que se parecer com isso sem nenhum pudor. Não chegamos a presenciar nenhuma cena dessas, mas vimos um lugar com muitas embalagens vazias, certamente subtraídas de suas vítimas.



Nesse meio tempo, o sol apareceu castigando com força e vimos uma oportunidade para voltarmos pelo mesmo caminho para tirar fotos da Chapman’s Peak Road. Com isso, acabamos deixando de lado nossa passagem por Muizemberg. Acho que não perdemos muita coisa, mas não chegamos a ir até lá para ter certeza. Na volta, avistamos do alto a belíssima praia de Noordhoek com sua imensa faixa de areia, passamos pela praia de Hout, que também denomina a baía e a estrada continua pela formação rochosa dos 12 Apóstolos, passa por Camps Bay que, para mim, é a Miami Beach sul africana, pelas praias de Clifton, por Sea Point, onde paramos para curtir o pôr do sol, e termina no V&A Waterfront onde terminamos o dia com o jantar.














Passeio fantástico, mas muito cansativo! Deixamos de passar por muitos lugares no parque do Cabo da Esperança porque acabou o tempo e o nosso gás. Aliás, ficamos muito surpresos com a Helô que fez tudo sem reclamar de nada. Aguentou muito mais do que muito marmanjo por aí. Claro que ela fica toda orgulhosa quando falamos isso e agora ela foi promovida a aventureira!

Amanhã a tendência é de que o dia seja mais leve. Vamos começar o dia pelo Old Biscuit Mill, na região de Woodstock, para prestigiar uma feira semanal local e depois vamos passar o resto do dia no V&A Waterfront, com direito a passeio no aquário.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Dia 03 – 12/04/2018 – Cape Town


Estou, enfim, me acostumando com a mão inglesa, mas que fazer o balão o contrário é surreal, isso é.

Acordamos mais cedo hoje e fomos até a Table Mountain. O dia não estava tão bonito como ontem, mas a montanha estava toda exposta, pronta para a nossa visita.

O percurso foi tranquilo e estacionamento não falta, mas os carros vão estacionando pela estrada na montanha. Portanto, parando antes da entrada do funicular ou depois, vai-se pegar subida em uma das direções. Nós paramos a uns 200 metros da entrada. Tudo ok.

O funicular comporta algumas dezenas de pessoas e a espera não chega a ser torturante. O bacana é que a cabine tem o chão rotatório, o que permite que todos vejam a paisagem em 360º durante a subida ou descida.




A vista lá de cima realmente vale a pena. Na chegada, indo para o lado esquerdo, se tem a vista da cidade, incluindo o porto, V&A Waterfront, e o belo Cape Town Stadium.






Há 3 trilhas tranquilas a se fazer lá em cima, mudando apenas a extensão. Segundo o parque, as trilhas devem levar em torno de 15, 30 e 45 minutos dependendo da extensão escolhida. Como a Helô estava indo muito bem e toda feliz por estar escalando pequenas montanhas, fomos estendendo e acabamos fazendo a maior, o que se mostrou valer muito a pena. Isso porque o final da trilha, antes do caminho de volta, é justamente numa imensa fenda na grande montanha, o que nos dá uma incrível vista para um grande desfiladeiro.




Já quase na metade do caminho de volta fomos surpreendidos por uma chuva inesperada de média intensidade. Tivemos que apertar o passo, mas a chuva passou no finalzinho do percurso, o que nos permitiu contemplar a vista do outro lado da montanha com as belíssimas praias de Cape Town e as terras mais ao sul, caminho para o Cabo da Boa Esperança.




Como o sol abriu novamente, e com força, trocamos nosso roteiro novamente e, ao invés de ir para o V&A Waterfront, fomos para as praias. A primeira que fomos foi a Clifton 3 e 4. Linda praia com umas grandes pedras completando a decoração e emoldurando o mar verde com tom de esmeralda. Areia fofa e pouca gente curtindo essa paisagem. Tudo perfeito se não fosse a temperatura da água que é simplesmente horrível de fria. Nem a Helô, que estava morrendo de vontade de entrar, se aventurou a colocar os pés na água por mais de uma vez. Tinham umas duas pessoas pagando algum tipo de promessa dentro da água.






Como não estávamos preparados com roupas adequadas para a praia, voltamos para o apartamento para almoçar, trocar de roupa e a Helô tirar um cochilo. Depois, fomos assistir ao pôr do sol na praia de Camps Bay. Belíssimo pôr do sol! A Helô fez umas amiguinhas sul-africanas, mas não conseguia conversar com elas em inglês, tadinha. Mesmo assim se divertiram um bocado.








Vale expor uma situação muito comum por aqui. Em todos os semáforos tem gente pedindo ajuda, nas ruas tem gente pedindo comida, em todas as ruas tem gente para olhar os carros. Eles não são agressivos, mas são insistentes. E é de dar dó. É notável a situação deprimente deles e dá vontade de ajudar todos. Nos restaurantes, se você se sentar ao lado de fora, nas calçadas, certamente será abordado por alguém pedindo ajuda. Tem situações que isso se torna pelo menos desagradável, como é o caso de você sendo abordado enquanto tenta ter uma refeição tranquila. Ou, como o que aconteceu conosco, na praia. Mal nos sentamos e começaram a chegar as pessoas como que em fila tentando vender alguma coisa (cerveja, sorvete, artesanatos). Acho que o pessoal via que dávamos atenção e chegavam aos montes. Até que nos cansamos da situação, já que não conseguíamos ter tranquilidade na praia, fomos um pouco mais ríspidos com duas pessoas e pararam de se aproximar.

De qualquer forma, o país deles é tão bonito e eles vivem em situação por vezes tão miserável que acho que devemos, de alguma forma, ajudar. É como pensar que é um imposto que muitos lugares cobram simplesmente para nos hospedarmos.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Dia 02 – 11/04/2018 – Cape Town

O fuso horário de 5 horas afetou as meninas e hoje levantamos após às 9:00. Então, como já estava tarde, mudamos a programação do dia e fizemos o que estava agendado para amanhã e vamos deixar a subida à Table Mountain para amanhã. Esperamos que o dia amanhã amanheça como hoje, totalmente sem nuvens, com uma visibilidade perfeita!

Após o café da manhã aqui no flat mesmo, fomos a pé para o Green Market Square que não fica longe daqui. Éramos uns dos pouquíssimos visitantes da feira de artesanato e souvenires. Tanto é que todos nos diziam que iam nos fazer um preço especial porque éramos os primeiros clientes do dia. Compramos várias coisinhas e os itens eram muito interessantes e bem feitos, todos com os motivos da África do Sul. Os trabalhadores da feira são, diferente da nossa expectativa e do que vemos mundo a fora, muito simpáticos, prestativos e respeitosos. Claro que eles estão lá para vender e tentam fazer isso o tempo todo, mas com muita humildade. Humildade tanta que eles falam baixo, quase que de cabeça baixa, certamente ainda reflexo do Apartheid. Os negros são de imensa maioria pela cidade. Eu não sou um estudioso da história africana, mas, devido ao Apartheid, eu imaginava que haviam muitos habitantes de cor branca, mas descobri que 70% da população é formada de negros. E 25% dos habitantes estão desempregados. Ainda como produto daquela segregação racial horrenda, a grande maioria dos empregados é formada por negros. Isso ainda vai demorar muito para mudar. Mas, independentemente de qualquer coisa, eles são um povo muito alegre.




Bom, a primeira impressão foi muito boa! Como nos cansamos da caminhada, ao invés de esticarmos até Bo Kaap, voltamos ao apartamento para pegar o carro e nos aventurar pelas ruas “na contramão”.

Bo Kaap é um bairro com casas com fachadas coloridas. Nós desconhecemos a história, mas deve ter um motivo para isso. Vimos um guia explicando para um grupo, mas não conseguimos chegar perto o suficiente para ouvir as histórias. Tiramos umas fotos e voltamos para tomar banho e assistir ao pôr do sol da Signal Hill.






No caminho de volta ao flat, pegamos a rua na direção errada e acabamos dando uma volta maior por cima de um morro, mas fomos presenteados por uma vista magnífica da Table Mountain.


Pegamos um trânsito bastante considerável até a encosta da montanha. Não sei se era por conta da hora do hush ou porque é o caminho para várias atrações turísticas, mas é bom sempre ter em mente sair um tanto mais cedo para não ter problemas e não confiar no Waze que tem pisado muito na bola ultimamente.

No caminho, já na subida da Signal Hill, tem um recuo onde se pode ter uma vista muito bonita da cidade de Cape Town com a Table Mountain ao fundo. Não paramos pois estávamos com o tempo apertado.

Por sorte, chegamos a tempo no topo da montanha e conseguimos estacionar tranquilamente. Para quem tem essa preocupação e prefere ir de Uber, nossa dica é ir de carro mesmo. Não sei se estamos em uma época do ano de poucos turistas, mas estava relativamente tranquilo. Na volta, vimos alguns carros estacionados na estrada, o que também é uma opção. Mas, considerando que chegamos bem em cima da hora (exatamente no início da Golden hour), se você chegar um pouquinho mais cedo, vai estacionar sem problemas.

A vista é fantástica e nos fez lembrar do pôr do sol de Oia, bairro da ilha de Santorini, na Grécia.






De lá, também se tem uma bela vista da Table Mountain.


Ao anoitecer, fomos até o V&A Waterfront que foi mais uma grata surpresa. Eu imaginava um píer meio decadente com algumas lojas e tal, parecido com Chicago, mas nada disso. Trata-se de um espaço fantástico, muito bem arrumado, com um belo shopping, excelentes restaurantes, uma grande roda gigante, opções para crianças, enfim, vamos voltar de dia e a ideia é investirmos praticamente o dia todo por lá.

Com a insistência da Helô, acabamos indo na roda gigante à noite mesmo embora com a visão comprometida. Depois, paramos para jantar num bom restaurante, com boa comida e apreciamos nosso primeiro vinho sul africano de excelente qualidade (pelo menos para o nosso paladar) pelo preço equivalente a ~R$ 50,00 no restaurante, o que não deixa de ser uma pechincha.

Falando em pechincha, pagamos o equivalente a ~R$3,00 pela noite no estacionamento.

Ah, claro, tenho que falar do carro. A direção hoje foi menos tensa, mas é muito desconfortável dirigir na mão inglesa. O caminho para a Signal Hill é muito sinuoso e estreito e a Fabi passou maus bocados como minha carona. O fato de dirigir pela esquerda, aliado ao fato de nosso carro ser bastante largo (Toyota Rav4), me fazia dirigir muito próximo o limite no lado esquerdo, seja passando muito próximo aos carros ou à ribanceira.

Amanhã iríamos à Table Mountain pela manhã e depois ao V&A Waterfront, mas a previsão do tempo está indicando que vai nublar depois de amanhã em diante. Então, provavelmente vamos trocar o passeio da tarde pelas praias da cidade.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Dia 01 – 10/04/2018 – Chegada à África do Sul

Enfim, chegamos em Cape Town para iniciar nossa jornada de nossas primeiras férias nesse continente cheio de contrastes e belezas. Mas não foi assim tão fácil.

Nós compramos as passagens diretamente com a Latam e o trecho entre Johanesburgo e Cape Town era operado pela British Airways. E o tempo de conexão era de apenas 1:40, o que, para uma conexão internacional, é um tempo muito apertado principalmente por conta da imigração e da distância entre os portões que costuma ser grande.

Enfim, conhecíamos o risco que estávamos correndo mas, dessa vez, eu já decidi antes que não me estressaria, haja o que houver. No pior dos casos, perderíamos o vôo, teríamos nossas malas extraviadas e teríamos que comprar outras passagens pelo preço balcão. E, se isso acontecesse, eu pagaria tudo na maior tranquilidade e entraria com mais uma ação contra a Latam.

De qualquer forma, no check-in em São Paulo questionamos sobre o risco e a despreparada atendente se limitou a responder que se eles venderam assim é porque daria tempo. Perfeito. Era tudo o que queríamos ouvir.

Nosso vôo de São Paulo saiu uns 20 minutos atrasado, mas, num vôo de 10 horas de duração, o comandante consegue recuperar esse tempo tranquilamente. Claro que hoje isso não aconteceu e chegamos com mais de meia hora de atraso.

Contra todas as expectativas, porém, o processo de imigração estava organizado e rápido. Apenas tomamos um susto quando o policial que fez nosso processo começou a insistir que precisava da certidão de nascimento da Helô, mas, quando o caldo começou a engrossar, o colega dele que ouvia a situação no guichê ao lado disse que o passaporte era suficiente.

Malas chegaram rápido, mas o carrinho da Helô demorou mais uma meia hora, o que foi o suficiente para nos fazer perder a conexão.

De qualquer forma, fomos até o balcão de re-checkin e eles pediram para irmos até a loja da British Airways para resolver e que, por sua vez, nos mandou ir até a loja da Latam, literalmente do outro lado do aeroporto.

O rapaz que nos atendeu disse que o vôo de São Paulo não atrasou e nos mostrou a conta de 9 mil e um monte de Rands, algo em torno de quase R$ 3k. Eu insisti decidido que essa seria minha última tentativa antes de sacar o cartão de crédito e acho que fui convincente dessa vez. Ele conversou com alguém e nos encaixou num vôo pouco mais de 3 horas mais tarde do que nosso vôo original. Depois de tantas andanças, nem faltaria tanto tempo assim para o embarque.

Para piorar um pouquinho, a aeronave apresentou algum problema e o vôo atrasou 1 hora. E a Helô teve algum tipo de choque de adrenalina e passou o vôo de 2 horas bagunçando como nunca vimos.

Enfim, chegamos em Cape Town. O Exchange Rate no aeroporto de Johanesburgo estava bem melhor. Fica a dica.

E chegou o momento tenso da viagem: dirigir em mão em inglesa. O aeroporto não é longe do flat que alugamos e a maior parte do percurso foi em autoestrada, mas foi o suficiente para me confundir todo. Eu liguei o limpador de para-brisa umas 20 vezes ao invés de dar seta. Amanhã o percurso será maior e tende a ser mais tenso. Acho que em uns 10 dias eu me acostumo com a ideia.

O flat que alugamos no AirBNB é bem legal e atende muito bem nossas necessidades. Se chama Metropolitan 504 e fica há uns 2 km do V&A Waterfront. Fomos a pé num mercado que tem aqui bem próximo e vimos que, realmente, aqui tem muitos pedintes. Fora tudo o que vimos nos aeroportos, só no caminho para o mercado hoje, o porteiro pediu para trazermos uma garrafa de Coca Cola e um rapaz nos pediu para comprar comida pra ele no mercado. Compramos um sanduiche e ele perguntou do refrigerante. É muita cara de pau ou não é? Coisas como essa nos tiram a vontade de ajudar as pessoas por aqui.

A Table Mountain estava toda encoberta hoje à tarde e o pôr do sol promete. Vimos da estrada um sol lindo e muito amarelo se pôr por trás das construções. Não vejo a hora de ver esse espetáculo na savana.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Férias de 2018! Enfim, chegou a vez da África!

Esse ano marcamos bobeira e deixamos para decidir o destino das nossas férias em menos de 2 meses de antecedência.

Passamos meses pensando em qual destino seria o mais apropriado para essas férias. Dólar mais alto, 3 pessoas na família, o preço das férias pesou muito na decisão. Ou, no caso, na indecisão.
Estávamos para fechar as férias no Vietnã já que os custos por lá são bem menores que em outros lugares como a Europa. Mas o vôo estava muito caro, seria bastante cansativo e sempre existe a preocupação com a alimentação para a Helô que já tinha nos dado trabalho na outra viagem que fizemos para a Ásia.
Antes do Vietnã, tínhamos pensado em Reino Unido, mas a Libra Esterlina está proibitiva.
Mais recentemente, chegamos a cogitar Portugal fazendo um roteiro tranquilo de carro.
Sem uma linha lógica de raciocínio, não é mesmo? No fundo, queremos algum destino que seja interessante para a Helô que terá 4 anos na época e que, ao mesmo tempo, seja revigorante para nós.
Foi quando vimos uma super promoção de vôo Latam no site Melhores Destinos para Joanesburgo, na África do Sul.
Esse é um destino que nos ronda há 10 anos. Seria nosso destino de lua de mel, mas, com a deflagração da crise de 2008, acabamos ficando com recursos bastante limitados e mudamos o destino, na época, para o Caribe. Vez por outra cogitamos ir à África do Sul, mas acabamos deixando para depois já que a realização de safári por crianças pequenas não é lá muito recomendada. E, ir para a África do Sul e não fazer um safári, para mim, é um sacrilégio!
Como a passagem estava realmente barata e nos empolgamos, compramos e deixamos para resolver essas coisas depois. Ainda estamos planejando, mas já pudemos concluir que há outras várias opções de safári no país que não seja o Kruger Park. No Kruger existe bastante restrição de participação de crianças nos "game drives" e não conseguiríamos aproveitar como gostaríamos com a Helô conosco.
Então, abortamos a possibilidade de ir até lá e estamos considerando as melhores opções na região da Rota Jardim que vai, grosseiramente, de Cape Town até Port Elizabeth. Entre as opções, estão Addo e Shamwari.
Com isso, vamos acabar resumindo nossa viagem na Rota Jardim, o que nos possibilitará passar alguns dias na Cidade do Cabo, visitar as vinícolas da região, passear pelas diversas opções de parques e esportes radicais como o maior "bungee jumping" do mundo no Tsitsikamma National Park, mergulho com tubarões brancos, visitar reservas de animais para "self driving" ou "game drive", enfim, opções não nos faltarão.
Outro destino que praticamente já desconsideramos é Sun City, uma cidade super famosa pelo enorme complexo ali construído. Existia um hotel 6 estrelas no local e que, pelo que li, está bastante decadente e não parece um destino que, de fato, remeta à África. Podemos buscar resorts do tipo em outros lugares do mundo, inclusive no Brasil. Devemos deixar uns 2 ou 3 dias para Joanesburgo e o restante será todo aproveitado na Rota Jardim.
Nossa viagem será em meados de abril/2018 e logo volto com nosso roteiro aqui antes da viagem.