segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dia 16 – 03/10

Mais um dia acordando cedinho. Dessa vez, porque tínhamos que devolver o carro em Napoli até às 09h. O café da manhã no hotel começa às 08h, mas a moça disse que nos levaria pelo menos um cappuccino até às 07h. Como já havia passado desse horário, saí sem café mesmo e fui buscar o carro no estacionamento, já que o serviço não inclui a entrega no hotel, e a Fabi desceu com as malas. Quando estacionei na frente do hotel, estava a Fabi na recepção, em pé, com um croissant na mão. A moça estava levando a bandeja de café da manhã para o quarto, mas, como já estávamos de saída, comemos correndo ali na recepção mesmo só pra não sair de barriga vazia.
Voltamos pelo mesmo caminho nos despedindo da Costa Amalfitana. Pegamos um pouco de trânsito, mas a coisa complicou mesmo quando estávamos próximo de Napoli. Conseguimos chegar na Avis às 09h15 e felizmente não tivemos problema.
Devolvemos, então, o carro, depois de 8 dias levando-o para conhecer lugares fantásticos e após rodar pouco mais de 1500 km. Isso quer dizer que entramos na etapa final da nossa viagem e que estaremos em casa dentro de poucos dias.

Fomos para a estação de trem que é bem em frente da Avis e percebemos que não estávamos com o bilhete do trem impresso. Depois de conversar com bastante gente, finalmente conseguimos descobrir o número dos nossos assentos. Embarcamos com tranquilidade e tivemos ajuda com as malas de uma pessoa solícita, mas que nos cobrou 5 euros depois. O trem que compramos faz algumas paradas durante o caminho e não é o expresso.
Chegamos em Roma às 12:30, como previsto, e fomos até o ponto do ônibus da linha 64. Não foi tão fácil encontrar, mas deu tudo certo. Quando chegamos, estava saindo um ônibus completamente lotado. Após alguns minutos de espera, chegou novo ônibus vazio e lotou completamente no ponto da estação de trem. Agora eu sei como uma sardinha se sente e prometo que nunca mais como sardinha em memória a esse momento de aperto total que passamos. A Fabi conseguiu perguntar para algumas pessoas do ônibus e descobrir o ponto que desceríamos já que o motorista estava em um dia de mau humor extremo. Quase não consegui descer do ônibus, mas algumas pessoas ajudaram a passar parte da bagagem por cima e, ufa, desci. O ponto é praticamente em frente ao hotel e, ao avistarmos o número, vimos uma porta familiar. O hotel é muito parecido com o de Florença. Uma porta gigante para entrada em um prédio antiquíssimo que é dividido com outros estabelecimentos. E, no interfone, tinha um post it azul grudado endereçado à Fabi pedindo para ligar em um telefone para fazer o check in. De novo? Saí caçando um telefone público enquanto a Fabi ficou na porta do hotel com as malas. Encontrei o telefone algumas quadras para frente e a pessoa disse que chegaria em uns 10 minutos para abrir o hotel.
Temos que aprender que B&Bs (bed and breakfast) são assim mesmo. Não tem recepcionista no hotel e, na verdade, não é bem um hotel. Amanhã vamos preparar nosso próprio café da manhã com os ingredientes que eles já deixam aqui.
Depois de acomodados, saímos para pegar o ônibus do City Tour e, no caminho, compramos paninis para disfarçar nossa fome. Adivinha o recheio do meu? A Fabi comeu de presunto, mussarela de búfala e tomate.
Fizemos o tour, sem descer em nenhuma estação, que leva 2 horas. Já fizemos uma visita panorâmica ao museu, digo, cidade de Roma. Lugares indescritíveis! Os que mais chamam a atenção são, sem dúvida, a Piazza Venezia e, é claro, o Coliseu. Esse último é, simplesmente, fascinante.










Demos uma volta completa na cidade e descemos 2 pontos mais adiante, no ponto da Fontana di Trevi. Uma curta caminhada e lá estava ela, majestosa. A maior e mais importante fonte de Roma e, quiçá, do mundo. Não resistimos e fomos comprar um gelato para saborearmos em frente da Fontana. A Fabi jogou a moedinha para garantir nosso regresso a Roma.

Nosso próximo destino, já ao anoitecer, foi o Pantheon que foi construído no século I ac. O Pantheon, originalmente, foi construído em homenagem aos deuses do Panteão e, hoje, é uma igreja católica, dedicada à Santa Maria e todos os santos e contém as tumbas de pessoas ilustres como o pintor Rafael, e os reis italianos Umberto I e Vittorio Emanuele II. Não imaginávamos ver tanta beleza nesse prédio.



O Rodrigo Rissio tinha indicado um restaurante com uma portinha pequena, com nome de homem, perto do Pantheon, para comer um spaghetti ao tartufo delicioso. Como eu já tinha me rendido a essa maravilha em Montepulciano, fomos atrás do tal restaurante e o encontramos em uma pequena rua subindo de uma das laterais do Pantheon. O restaurante se chama Armando all’ Pantheon e precisa de reserva, mas por algum motivo, o garçom deu um jeito de nos receber, o que acabou não acontecendo com outros turistas que chegaram depois de nós. A massa é, realmente, muito boa, mas não chega a bater a que comi em Montepulciano. A Fabi comeu um ravióli de ricota e espinafre com molho branco com champignon e estava delicioso. Pedimos, dessa vez, só meia garrafa do vinho Rosso Nobile de Montepulciano que viramos fãs.

Voltamos caminhando até o hotel e amanhã vamos por as pernas para trabalhar de novo. Pobres pés.

Dia 15 – 02/10

Diferente do domingo passado, hoje foi o dia que acordamos mais cedo (06h20) para chegar a Positano o quanto antes e curtir uma praia já que antes passaríamos por Pompéia.
Chegamos em Pompéia às 08h25 mesmo sem saber o horário de abertura do sítio arqueológico. Por sorte, este abria às 08h30 e fomos os primeiros a entrar. A cidade foi completamente soterrada por cinzas e rochas vulcânicas do Vesúvio no século I dc. As escavações e reconstrução da cidade estão bem adiantadas, a estrutura da cidade está bem preservada e pudemos ver com clareza como eram as cidades da época. Passamos 2h30 andando sob o sol quente e não conseguimos ver tudo. É possível ver corpos humanos petrificados com as exatas posições que estavam quando foram surpreendidos pelo vulcão. Vale a pena a visita.





De lá partimos para Positano e pegamos um pouco de congestionamento. Só a viagem de ida já valeu a pena, pois a vista é fantástica! Tivemos que parar algumas vezes na estrada para a Fabi tirar fotos. Nos alertaram que a estrada era bem estreita, de um lado a montanha e de outro o precipício. A Fabi estava bem preocupada, mas quando chegamos, vimos que não é tão ruim assim. Além disso, ela estava encantada com a vista. Quem conhece a serra de Taubaté não terá problemas com a estrada da Costa Amalfitana, mas cuidado para não ficar olhando muito para o mar.



Chegamos ao hotel, desta vez, com facilidade e o pessoal do estacionamento até veio buscar o carro, incluído no custo da diária de 20 euros. O hotel é um B&B (Bed and breakfast), com ar condicionado e muito aconchegante. A vista só é parcialmente tampada pela cobertura do estacionamento do hotel da frente. Deixamos as malas, colocamos roupa de praia e já descemos. No caminho, comemos paninis, de novo, sentados na escada da igreja e logo chegamos à praia.
O Mar Mediterrâneo lembra muito o Mar Egeu (Grécia) e a praia de Positano também é parecida com as praias de Capri, mas com extensão de “areia” muito maior. A areia não é bem areia, mas sim pedras vulcânicas trituradas e, já bem próximo da água, as pedras são maiores. Diferente de Capri, onde conseguimos sentar nas pedrinhas, em Positano isso foi impossível já que estavam muito quentes. Com isso, tivemos que pagar (10 euros cada) para nos sentar em cadeiras com guarda-sóis que são feitos ara locação diária assim como em Mykonos.





A praia estava perfeita embora a mar seja muito gelado. A água é realmente cristalina, dá até vontade de beber. Com o calorão, claro, tive que tomar um gelato, mas, desta vez, a Fabi ficou na cerveja.
A Fabi queria ver o pôr do sol na água, mas o sol se põe atrás da montanha. Mesmo assim a vista não deixa de ser linda.


À noite, descemos até a praia novamente para jantar. Encontramos um restaurante agradável com preço razoável, já que em Positano, assim como em Capri, as coisas são muito caras. Comemos lasanha como primeiro prato, esta estava até meio que “abrasileirada” com ervilha e presunto. O vinho que tomamos é da região e estava muito bom, com aroma bem frutado e bastante ácido. Eu ouvi um garçom dizendo a um casal que o carro chefe do restaurante era o nhoque e, como ainda tínhamos um espacinho, resolvemos tirar a prova e dividir um. O nhoque estava realmente bom, o melhor que eu comi na Itália, mas ainda não é como o da minha mãe. Mãe, não vai ter jeito, você vai ter que fazer para nós quando voltarmos J.

Paula, obrigado pela dica, Positano é realmente imperdível. Estando em Napoli é obrigatório dar um pulinho lá. Adoramos.

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia 14 – 01/10

Destino de hoje: Capri.
Acordamos cedo e, para manter o padrão da nossa impressão de Napoli, o café da manhã foi lamentável e, ao chegarmos no quarto de volta, estava sem energia.
Com tudo resolvido, caminhamos uns 20 minutos até o píer. De dia, a movimentação por aqui é diferente e, embora estivéssemos bem atentos, não notamos qualquer tipo de ameaça. Quando chegamos ao píer pouco antes das 10:00, soubemos que o próximo barco que ainda tinha bilhete disponível sairia apenas às 11:10. Compramos juntamente com o da volta para o último horário (18:10) e fomos caminhar pela região e conhecer, em visita panorâmica, os pontos que tínhamos anotado: Palazzo Reale, Piazza Plesbiscito, Teatro San Carlo, Galleria Umberto I e Castel Nuovo. Ficam todos um do lado do outro e conseguimos visitar tudo rapidamente. Detalhe para a Galleria Umberto I que lembra muito a Galleria Vittorio Emanuele em Milão pela arquitetura e formato do prédio. As lojas também são caras, mas sem o peso das marcas presentes na Galleria Vittorio Emanuele.





Voltamos e pegamos o barco para Capri que nos surpreendeu pelo tamanho. Em dimensões um pouco menores, nos lembrou do ferry que pegamos ano passado em Athenas indo para Santorini. E as semelhanças com a ilha de Santorini não pararam por aí. A ilha é altíssima e tivemos que subir de funicular ou se podia subir de ônibus ou carro (táxi) também. A pé seria uma bela de uma caminhada morro acima. Lá em cima, a vila é super charmosa e tem uma rua com lojas caríssimas. Até a igreja principal é bem parecida com as de Santorini com exceção à ausência do azul no domo.
Não conhecíamos nada na ilha e tivemos que buscar alguma praia que, certamente, seria morro abaixo. Antes de nos aventurarmos pelas ladeiras da belíssima ilha, sentamos para almoçar. O cardápio foi de cerveja (ninguém aguenta esse calor) e salada caprese e uma massa depois. Não vamos comentar sobre a massa porque estava normal. Mas a famosa salada é realmente deliciosa. E olha que quem está escrevendo não come tomate. Nos sentamos bem no muro de uma encosta da ilha, um lugar bem fresco protegido pela sombra de árvores e não é que recebemos uma ilustre visita durante a refeição? Um lagartinho subiu na nossa mesa e ficou passeando por lá. Me espantou a Fabi não ter feito escândalo. Ela simplesmente saiu da mesa (com o prato na mão) e chamamos o garçom que nos trocou de lugar.

Barriga cheia, ladeira abaixo. Tínhamos encontrado um caminho que levava a uma praia e que tinha uma vista de tirar o fôlego.  Durante a descida estávamos preocupados com a volta e por ter o bilhete do ferry já comprado (e último saindo da ilha) não podíamos perder. Quando estávamos bem próximos da praia vimos que tinha uma pequena estação de ônibus que podíamos pegar para voltar ao centro de Capri. Ufa, um alívio.
A descida durou 30 minutos (imaginem a volta) e chegamos a uma prainha, Marina Picola, bem pequena e toda de pedrinhas apinhada de gente. Encontramos um espacinho para nós e lá nos esticamos ao sol do Mediterrâneo. A praia também é muito parecida com as de Santorini que, além das pedras, tem água bastante fria e impressionantemente límpida. Lá passamos a nossa tarde até o sol se esconder atrás da montanha e nos deixar apenas uma brisa fresca e o mar gelado.






Subimos, então, de ônibus (em tamanho reduzido para conseguir fazer as curvas) e, chegando na vila novamente, vimos uma movimentação diferente com uma bandinha e nos demos conta de que tinha acabado de acontecer um casamento ali. Fomos até a igreja e está estava toda decorada com rosas brancas, havia até mesmo um arco de rosas na entrada. Casar em Capri é chique e os noivos e convidados pareciam ter dinheiro sobrando. A Fabi gostou muito dos vestidos e está até pensando em comprar um para o casamento do Gonça e da Andrea. Gonça, acho que ainda dá tempo de vocês mudarem o local do casamento de vocês. Nós seremos os primeiros a confirmar presença. De repente nem vamos embora da Itália.


Voltamos no fim da tarde e fomos para o hotel de taxi para não arriscar. O motorista era muito simpático e conversamos bastante, em italiano. Na verdade ele falava bastante e, o que eu conseguia entender, eu respondia do jeito que conseguia. Mas a conversa fluiu. A Fabi até me elogiou.
Iríamos à pizzaria Michele, onde a Julia Roberts comeu pizza no filme Comer, Amar e Rezar, mas, para evitar estresse e não correr perigo, comemos na pizzaria aqui do lado mesmo.
Aqui na Itália, assim como na França, as pessoas fumam muito e em qualquer lugar, principalmente nos restaurantes. Estamos muito adiantados em relação a isso no Brasil. Fazia muito tempo que não sabíamos mais o que era sair de um lugar cheirando a cigarro da cabeça aos pés.
A pizza, assim como a que comemos ontem, é bem saborosa e segue o seguinte padrão: borda alta, a massa vai afinando para o centro da pizza, onde fica meio borrachuda, o recheio começa a uns 2 ou 3 dedos para dentro da borda, o recheio não é alto, mas não podemos reclamar que é pouco e a pizza é servida em um grande prato e é individual.
Amanhã pegaremos mais praia, dessa vez em Positano, nosso último destino antes de Roma. Ciao!

Dia 13 – 30/09

Seguimos em direção a Nápoles. Logo após meia hora de viagem, paramos no Castello Odescalchi Di Bracciano, outro castelo medieval que já foi residência papal durante um período que Roma estava sendo assolada por uma peste. Fizemos a visita guiada em italiano. Entendemos pouco da explicação e, sinceramente, o castelo é mais bonito quando visto de fora. Então, para nós, não valeu a pena pagar para conhecer seu interior, principalmente após ver tanta coisa bela em Paris e na Toscana.


O castelo fica às margens do lago de Bracciano e demos uma paradinha lá para a Fabi colocar os pesinhos na água.

Como estávamos perto de Roma, resolvemos esticar até Tivoli para conhecer um de seus famosos jardins, Villa d’Este, construídos na época do imperador Adriano. Os jardins são muito bem construídos e cheios de cascatas e chafarizes. Vale a pena dar uma esticadinha. Quem tiver tempo disponível, pode conhecer também as outras 2 vilas que compõem a cidade de Tivoli: Villa Adriana e Villa Gregoriana.



E, falando em esticadinha, esquecemos de comentar ontem que excluímos Assis do roteiro já que isso iria demandar em torno de 3 horas a mais do nosso dia e queríamos tirar o dia de ontem de férias. Já visitamos inúmeras igrejas e achamos que essa não chegaria a fazer falta.
De Tivoli, colocamos o pé na estrada para um trajeto de outras 2 horas e chegamos até um Outlet perto de Napoli. Os preços são um pouco salgados pelo fato de o euro estar caro. Então, compramos pouquíssima coisa. A Fabi, tadinha, ficou sem nada. Experimentamos da famosa pizza de Napoli no Outlet. Estava muito boa, mas, como as outras que já tínhamos comido antes, vem com pouco recheio. A Fabi não gostou muito da dela porque, de alguma forma, nós 2 lemos no cardápio em inglês e no em italiano que tinha anchova, mas era aliche. Ela tirou tudo, mas, segundo ela, a pizza ainda ficou com gosto de peixe.
Já perto do Outlet, que fica uns 20 minutos fora da cidade, pudemos constatar histórias que já tínhamos ouvido de outras pessoas: Napoli é uma cidade perigosa. Não chegamos a presenciar nenhuma violência, mas tinha muita gente pedindo dinheiro, lavando os vidros dos carros etc nos semáforos. Para quem estava acostumado em ter 100% de tranquilidade na Toscana, foi um choque.
Quando nos aproximamos do hotel, a situação ficou bem mais crítica. As ruas são muito sujas, estreitas e escuras, cheias de suspeitos mal encarados. Eu fiz a burrada de reservar um hotel bem no centro da cidade, ao lado da estação de trem. A barra aqui é bem pesada e prostitutas são as criaturas mais tranquilas das redondezas. Para variar, não se pode entrar de carro aqui na rua do hotel e ficamos andando em círculo de novo. Como já estamos calejados, paramos o carro em um ponto e fomos a pé até o hotel tendo, é claro, que, antes, dar uma gorjetinha para um flanelinha que nos xingou por termos dado pouco dinheiro. A moça do hotel nos indicou um estacionamento fechado a uns 100 metros do hotel e o carro vai ficar lá até sairmos da cidade, depois de amanhã. Trash. A Fabi está irritada comigo porque eu fui economizar justo aqui.
A impressão, até agora, é de uma cidade muito aquém do padrão italiano. Vamos confirmar amanhã. O hotel, como esperado (pagamos bem barato), é outro problema. Até que tem ar condicionado, mas tive que desligar imediatamente após liga-lo porque ele emitiu uma grande nuvem de poeira. Está um baita calor e vamos ter que nos refrescar só amanhã nas águas da ilha de Capri!